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Desumidificador

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A América roubou a Lua?

Os ziguezagues de Donald Trump têm deixado os comentadores de política internacional aos papéis. Muitos deles parecem críticos a analisar uma telenovela como se fosse um filme de Manoel de Oliveira. Na verdade, o curso dos eventos tem-se assemelhado mais a uma farsa representada por péssimos actores. Quanto ao que se passa nos bastidores do teatro, a única certeza é que tudo é mais sujo, ridículo e irracional do que possamos imaginar (um pouco como as reuniões do Eurogrupo).

 

De certa forma, tudo isto estava anunciado no livro de campanha de Trump, “Grande Outra Vez”. Por um lado, a obsessão de Donald pela grandeza: construir o edifício mais alto, erguer um mastro gigantesco para colocar uma bandeira enorme, usar a bomba convencional mais potente, etc. Por outro, a crítica aos anteriores presidentes americanos por anunciarem tudo o que iam fazer, ao invés da técnica aprendida nos negócios (como tudo o resto) por Trump de surpreender o adversário e deixá-lo numa dúvida permanente sobre o passo seguinte. E, acima de tudo, uma profunda ignorância sobre o mundo. Trump confessou numa entrevista ao Wall Street Journal a sua surpresa com as coisas que aprendeu durante os 10 minutos em que o presidente chinês lhe explicou a situação na Coreia. É natural que o construtor desconheça a história das relações sino-coreanas, mas o facto de Trump admitir isto, sem compreender a imagem que transmite acerca de si próprio e da corte que o rodeia na Casa Branca, é significativo quanto à profundidade intelectual do presidente dos Estados Unidos.

 

Nunca subestimem o poder da estupidez humana.

 

 

P.S. Algumas pessoas têm oposto os bombardeamentos trumpistas à alegada passividade da Administração Obama, cuja contenção teria fomentado o caos no Médio Oriente. Na verdade, os EUA conheceram nos últimos anos a “síndrome do Iraque”, já que a ideia tão difundida em 2003 de enviar tropas em força para salvar o mundo e promover a liberdade foi completamente desprestigiada pelo atoleiro iraquiano. A atitude cautelosa de Obama deveu-se não a cobardia ou indiferença, mas à prudência perante o risco de recorrer à força militar sem um plano bem definido para o futuro. Agora, o dicionário de Trump inclui palavras como “copos” e “gajas”, mas “prudência” é algo que dele não consta.