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"A Crise do Jornalismo em Portugal"

“A Crise do Jornalismo em Portugal”, o novo título da colecção organizada pela editora Deriva e pelo jornal Le Monde Diplomatique, reúne artigos de jornalistas e investigadores dos media acerca de vários problemas que afectam os profissionais da comunicação social, como a precariedade, o desemprego, a desigualdade de género, as pressões internas e externas, a concorrência do digital e do jornalismo “cidadão” ou as questões deontológicas criadas pelas circunstâncias de um negócio (em quebra) que, idealmente, deveria ser um serviço público. Destaca-se, entre outros, um ensaio de Jacinto Godinho acerca da relação dos media com o terrorismo e da motivação fornecida por aqueles a eventuais assassinos.

 

A perspectiva da obra, natural tendo em conta a orientação do periódico onde os artigos foram originalmente publicados, denuncia a escassez de pluralismo no comentário e uma tendência hegemónica no jornalismo luso a favor das políticas “neoliberais” e dos grandes interesses económicos. A mesma ideia tem sido veiculada nas crónicas de Pacheco Pereira ou nos posts de Os truques da imprensa portuguesa. No entanto, se lermos os comentadores de direita, parece acontecer exactamente o oposto. O chefe de redacção do i, António Ribeiro Ferreira, insulta semanalmente os colegas por supostamente divulgarem mentiras sobre Donald Trump e ocultarem factos desfavoráveis para António Costa. Outros colunistas acusam (quase) todos os jornais e televisões de serem demasiado simpáticos com o Governo e o Presidente da República, protegerem e darem tempo de antena a José Sócrates, tratarem os dirigentes do Bloco de Esquerda como inimputáveis, disfarçarem os crimes cometidos por muçulmanos, etc.

 

Ganharíamos todos se, em vez desta discussão futebolística sobre quem é que os árbitros levam ao colo, os responsáveis pela direcção editorial da imprensa, como David Dinis, Mário Ramires, Octávio Ribeiro ou José Manuel Fernandes, ouvissem as queixas dos leitores e aceitassem debater as opções que tomam, admitindo o erro quando ele acontecesse. No entanto, impera o discurso de “Crise? Qual crise?” e o ataque pessoal a quem ousa criticar a qualidade do “isento e rigoroso” jornalismo português.