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A melhor das homenagens

As reacções a “Quinta-Feira e Outros Dias” não têm destacado suficientemente a tocante homenagem à memória de Mário Soares prestada por Aníbal Cavaco Silva. A obra é atravessada por insinuações do ex-Presidente da República sobre antecessores seus que levavam “uma vida descontraída” (p. 21), limitando-se a assinarem os papéis que lhes punham à frente, ou faziam no estrangeiro “visitas de chá e simpatia” (p. 550), mais turísticas que de trabalho e sem benefícios para Portugal. Trata-se, obviamente, de referências a Ramalho Eanes, utilizadas por Cavaco Silva para destacar o carácter de ruptura positiva assumido pela presidência de Soares. Ao escrever sobre o “desinteresse pelas questões económicas e sociais” (p. 114) que detectou em Soares entre 1986 e 1995, Aníbal salienta o lado idealista e romântico do fundador do PS.

 

 

No entanto, é no capítulo sobre as eleições presidenciais de 2006 que encontramos as mais belas frases acerca de Mário Soares. Num sinal do respeito que dirige “às pessoas mais velhas, um ensinamento que o meu Pai me deixou” (p. 69), Cavaco revela nessas páginas a sua elegância, grandeza moral e profundidade de análise, além de um vasto conhecimento da personalidade do líder político recentemente falecido. O facto de Aníbal ter tido o cuidado de publicar os seus comentários quando Soares já não lhe consegue agradecer constitui mais uma marca da pureza e sensibilidade cavaquistas. Mário Soares não poderia ter um obituário melhor que o de Cavaco.