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Desumidificador

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Adeus, PSD

E se o PSD acabasse? Não exactamente sumindo-se no nada, mas sendo substituído por um ou mais partidos que ocupariam o mesmo espaço político. Esta hipótese, aparentemente, não faz qualquer sentido. O Partido Social-Democrata é um dos grandes esteios do sistema, tem uma história de muitos anos no Governo, dispõe de um conjunto vasto de militantes, controla numerosas autarquias e a Região Autónoma da Madeira. Além disso, o mapa político português possui uma estabilidade surpreendente que dificulta a afirmação e crescimento de novas forças partidárias. Como poderia Pedro Passos Coelho ser o último presidente do PSD?

 

No entanto, como há quem preveja cenários ainda mais absurdos e a própria Geringonça já pareceu impossível, admitamos que, nas próximas eleições autárquicas, o PSD perde quase metade das “suas” câmaras. Os “laranjas” poderão concluir então que, em vez de se limitarem a mudar de CEO, o melhor é criar uma nova empresa com os mesmos accionistas. Os velhos e minoritários sociais-democratas, como Pacheco Pereira e Manuela Ferreira Leite, seriam mandados para os bancos de jardim, enquanto os responsáveis pelo aparelho, desde que mantivessem os seus lugares, aceitariam até que o partido se chamasse PUM. Iria assim emergir, não o Partido Social Liberal outrora imaginado por Pedro Santana Lopes (a palavra “social” tem uma conotação esquerdista), mas simplesmente o Partido Liberal. Ninguém se lembraria do partido com o mesmo nome surgido em 1974 e desaparecido após o 28 de Setembro.

 

A fundação do Partido Liberal concretizaria o sonho dos colunistas do i, do Sol e do Observador, que não defenderam outra coisa nos últimos anos. De resto, Rui Ramos e David Dinis apresentariam imediatamente o programa do novo partido. Se fosse oferecida a Paulo Portas a chefia do PL ou o apoio a uma futura candidatura presidencial, o CDS acabaria no dia seguinte. A direita portuguesa unir-se-ia num bloco capaz de enfrentar a esquerda e iniciar o combate cultural e ideológico reclamado durante tantos anos. Nem seria necessário vender os bustos de Sá Carneiro no OLX. Afinal, como tanta gente afirma, o fundador do PPD sempre foi liberal, mas não podia sair do armário por causa dos militares do MFA.