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Cine Odivel

Na qualidade de subúrbio encostado a Lisboa, Odivelas dispunha durante os anos 80 e 90 de uma oferta cinematográfica reduzida. O centro comercial Oceano (inaugurado em 1984), então o maior da localidade, incluía um cinema amplo, no qual nunca cheguei a entrar, embora me recorde de ver o Batman de Tim Burton anunciado no letreiro exterior do prédio, cujas letras eram trocadas manualmente. Após o encerramento em 1992 da sala do Oceano, manteve-se aberto na cidade apenas um espaço, o Cine Odivel, conhecido simplesmente como o cinema do Kaué, um dos centros comerciais antigos e minúsculos, de apenas dois pisos, espalhados por Odivelas.

 

Foi no Cine Odivel que vi pela primeira vez um filme (Forrest Gump) no cinema. É curioso recordar agora como tudo era pequeno no Kaué, incluindo o ecrã, a sala, o hall, os cartazes, a bilheteira, o corredor (visível numa fotografia actual abaixo), a casa de banho, os bilhetes (com os números dos lugares escritos à mão) e os recipientes para pipocas. Os títulos das longas-metragens exibidas eram divulgados através de cartões publicitários colocados em padarias e outras lojas. A programação baseava-se em produções de Hollywood (vi obras como Apollo 13, Tempo de Matar, Jerry Maguire, Michael Collins ou O Advogado do Diabo), além de raras excepções como o luso-holandês Mortinho por Chegar a Casa. Habitualmente, os filmes surgiam no Cine Odivel após terem estreado há muito nas salas lisboetas e permaneciam apenas uma semana em cartaz, com duas sessões diárias. No entanto, houve um caso ímpar: Titanic. O filme de James Cameron estreou em Odivelas no seu primeiro dia em solo português e teve sessões esgotadas no Kaué durante seis semanas consecutivas.

 

 

Na época de expansão dos multiplexes, manter em funcionamento um cinema assim era difícil, e tornou-se impossível a partir da inauguração em 2003 do Odivelas Parque (o actual Strada), um centro comercial digno desse nome que apresentava nada menos de oito salas de cinema. Pouco depois de eu lá ir pela última vez e ver O Regresso do Rei, o Cine Odivel fechou portas. Actualmente, a antiga sala de projecção é utilizada para as reuniões de uma seita religiosa. Não me sinto particularmente nostálgico, até porque comecei ainda no século XX a frequentar cinemas muito melhores na capital. No entanto, foi na sala acanhada do Kaué que conheci a magia do cinema e o prazer de viajar para muito longe sem sair da cadeira.

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