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Laranja

Após sete anos consecutivos na liderança do Partido Social-Democrata, Pedro Passos Coelho é já, a seguir a Cavaco Silva, o presidente do PSD com o período mais longo de chefia. Se Passos Coelho parecia estar condenado no Natal, a falta de alternativas credíveis ao biografado de Sofia Aureliano e a atitude de suposta virilidade política tomada pelo líder “laranja” na questão da TSU (a qual, segundo a imprensa oficiosa do PSD, excitou o aparelho do partido) tornaram provável, caso os resultados autárquicos não sejam demasiado horrendos, a continuação de Passos em funções até às próximas legislativas. Passos Coelho pode não ser especialmente profundo, mas é difícil de derrubar.

 

Ao fim deste tempo todo, torna-se difícil aceitar a tese do portista Pedro Marques Lopes (antigo apoiante de Passos) segundo a qual o PSD foi tomado de assalto por um grupo de “loucos” que levou o partido para a extrema-direita e ofendeu as bases sociais-democratas do “verdadeiro” PSD, encarnado por Marcelo Rebelo de Sousa. A verdade é que, tal como o CDS actual pouco tem a ver com o partido fundado por Freitas do Amaral e Amaro da Costa, o PSD de Pedro Passos Coelho já não é a “união nacional” de Cavaco Silva, em que toda a gente (até Pacheco Pereira) cabia, e tornou-se liberal e assumidamente direitista. Quanto aos militantes, tal como na maioria dos partidos, interessa-lhes a proximidade ou distância do poder, mais que eventuais questões ideológicas.

 

Refira-se que o PSD é o partido que registou mais adesões de novos militantes, sobretudo entre os menores de 30 anos, desde Outubro de 2015. É pouco provável que os jovens tenham entrado no partido a pensar que ia ser “Social-Democracia, Sempre!”. O papel de Pedro Passos Coelho na história da direita portuguesa ainda está por esclarecer, mas a liderança passista representa uma fase de viragem.