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Monarquia

A república possui várias vantagens claras sobre a monarquia: possibilidade de qualquer cidadão aceder à chefia do Estado, limitação dos mandatos, ausência de hereditariedade dos cargos (já imaginaram se Cavaco Silva fosse D. Aníbal I e tivesse abdicado num dos seus filhos?) e distinção da vida privada da esfera pública (nas monarquias, o futuro de um país fica dependente de quem copula com quem).

No entanto, em Portugal, alguém afirmar-se republicano é tão consensual como gostar mais de sol que de chuva. Além de ter passado mais de um século desde o 5 de Outubro, os defensores da monarquia registam um nítido fracasso na transmissão da sua mensagem e certamente perderiam por larga diferença o referendo que reclamam. Ao subalternizar a “questão do regime” com o objectivo de unir a direita, Salazar tornou esta, progressivamente, indiferente quanto à forma de governo. Se a maioria dos monárquicos se adaptou à democracia, a irrelevância do PPM (excepto nos governos da AD) e de D. Duarte Pio, actualmente invisível até no trabalho dos humoristas, demonstra o escasso apelo do realismo num país onde a “família real” são os Aveiro e não os Bragança.

Tudo indica, assim, que o azul e branco vai continuar apenas na bandeira do FC Porto. Os portistas têm, de facto, um líder que parece mais um rei que um presidente e cujo filho vive às custas do erário do reino do Dragão. Mas isso é outra história.