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Desumidificador

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O inferno são as redes sociais?

Muito se tem escrito sobre a influência nociva das redes sociais na política actual e o seu alegado contributo para a difusão de mentiras (“pós-verdade”), a crescente agressividade do debate e o sucesso eleitoral dos extremistas. Na verdade, as redes sociais, tal como a Internet em geral, espelham tanto o pior como o melhor do ser humano e não vieram trazer, no seu conteúdo, nada de verdadeiramente novo. Basta lembrar, por exemplo, que as histórias falsas sobre Mário Soares agora a circular são as mesmas dos anos 70 ou que os fóruns e caixas de comentários dos sites noticiosos já serviam de aterro de lixo muito antes das redes atingirem a dimensão actual.

 

O Facebook veio permitir que todos sejam analistas, sem necessitarem da licenciatura pela Faculdade de Comentário Político exigida a quem escreve na imprensa (os que fizeram o mestrado, como João Miguel Tavares, publicam mais crónicas), contribuir para o escrutínio dos media tradicionais e facilitar a difusão de informações ausentes destes. Também pode ser um meio para divulgar movimentos cívicos, iniciativas de solidariedade ou projectos de investigação, fomentar a partilha de humor, música, fotografia e outras actividades culturais, aproximar pessoas de diferentes regiões do mundo, etc.

 

No entanto, o formato do Facebook incentiva mensagens curtas, mais propícias ao grito que à reflexão. Geralmente, são os posts indignados a provocar mais reacções, positivas ou negativas. É igualmente possível que um utilizador faça apenas “amigos” que pensem como ele, nunca saindo de um grupo fechado e acedendo a informação parcial. A velocidade e universalidade da Internet divulgaram urbi et orbi opiniões agressivas até então limitadas a conversas particulares e criaram em grupos minoritários a ilusão de possuírem enormes dimensões. Da mesma forma, as redes estimularam a obsessão de registar e publicar tudo, sem distinção entre o essencial e o acessório.

 

Somados os prós e os contras, as redes sociais não constituem um problema em si mesmas, mas devem ser usadas com bom senso, moderação e a consciência de que o Facebook (ou outro site) não é a vida real.