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Política efémera

As transformações na comunicação política, feita hoje sobretudo pela televisão e pela Internet, vieram desactualizar vários meios tradicionais de propaganda. Os murais e pichagens já não se usam, embora tenham chegado ao século XXI (num muro em frente do meu prédio, foi pintado em 2005 um “Vota CDS/PP” a que, anos depois, o Bloco de Esquerda acrescentou as palavras “se queres passar FMInha!”). Os velhos cartazes afixados com cola nas paredes são agora utilizados apenas pelos partidos mais pobres e sem deputados. Os autocolantes, alimento de tantas colecções nos anos 70 e 80, tornaram-se uma relíquia do passado e até mesmo os folhetos em papel, distribuídos pelo correio ou nos mercados e transportes públicos, sofrem uma produção desigual. Assim, enquanto BE e PCP imprimem e espalham panfletos em abundância mesmo fora das campanhas eleitorais, PS, PSD e CDS quase nunca usam esse suporte. De resto, os partidos de direita praticamente deixaram de recorrer a materiais com existência física, aproveitando para destacar as virtudes da contenção e do corte de despesas supérfluas. Os resultados das últimas legislativas e presidenciais parecem confirmar o acerto dessa estratégia.

 

No entanto, há um período em que tudo isto muda: a campanha para as eleições autárquicas. A dificuldade (excepto nos concelhos de Lisboa e Porto) de acesso aos media nacionais e a existência de milhares de candidatos divididos por fatias ínfimas de território impõem o regresso à propaganda convencional. Para lá dos “outdoors” de gosto tantas vezes duvidoso, uma autêntica torrente de folhetos, diferentes em cada concelho e freguesia, cumpre a missão de mostrar ao povo os rostos e as promessas dos potenciais autarcas. O folheto torna-se por vezes o único meio de contacto entre o político local e o munícipe/freguês. Prevê-se, por isso, um ano de muito trabalho para José Pacheco Pereira e os seus colaboradores do Ephemera.