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Políticas de Odivelas

Apesar da sua relevância no espaço da Grande Lisboa, o concelho de Odivelas é raramente mencionado nos media aquando da antevisão das eleições autárquicas. Recorde-se que Odivelas deixou de integrar o concelho de Loures a partir de 19 de Novembro de 1998, sendo a composição da comissão instaladora do novo município estabelecida a partir dos resultados eleitorais verificados no conjunto das sete freguesias (actualmente, devido às fusões, são apenas quatro) nas autárquicas de 1997, ainda antes da secessão. Assim, a presidência da comissão foi entregue a um representante do PS, Manuel Varges, que seria eleito em 2001 para a função de primeiro presidente da Câmara Municipal de Odivelas (CMO). Sem apoio do partido para se recandidatar em 2005, Varges foi substituído pela advogada Susana Amador, vencedora por três vezes consecutivas das autárquicas odivelenses. Em Outubro de 2015, Amador tornou-se deputada e cedeu a liderança da edilidade ao vice-presidente Hugo Martins. Além do predomínio socialista, verifica-se habitualmente o estatuto da CDU como segunda força mais votada e detentora da presidência de uma ou mais juntas de freguesia, seguindo-se na preferência dos odivelenses o PSD e, a grande distância, o CDS e o BE. Uma excepção ocorreu nas eleições de 2009, quando o jornalista e vedeta televisiva Hernâni Carvalho liderou uma coligação de direita que ficou a poucos votos da vitória no sufrágio para a Câmara e conquistou a junta da sede de concelho.

 

A seis meses da próxima escolha dos membros dos órgãos do poder local de Odivelas, apenas a CDU apresentou publicamente o seu candidato à presidência da CMO, Fernando Painho. As restantes forças partidárias parecem manter-se expectantes, não havendo ainda confirmação de uma candidatura de Hugo Martins ao cargo que já ocupa. No entanto, foi noticiada a recusa do convite para encabeçar a lista do PSD feito a Teresa Leal Coelho, então já preparada para atacar o município lisboeta (não me perguntem qual seria a ligação de Leal Coelho a Odivelas). Esta situação indica que os “laranjas” ainda procuram um candidato e não se coloca a hipótese de Hernâni Carvalho repetir a iniciativa de 2009, num cenário em que poderia sagrar-se vencedor. Permanecem, assim, as incógnitas acerca do menu a apresentar aos eleitores da terra da marmelada em Setembro/Outubro.

 

Não estou bem informado quanto àquilo que a Câmara fez ou não fez desde 2013, até porque a imprensa local, o semanário gratuito Odivelas Notícias, é fraquinha, limitando-se Henrique Ribeiro, o autor da quase totalidade do periódico, a reproduzir acriticamente o material enviado por clubes, partidos e autarquias (o facto do jornal ser grátis não permitiria grandes expectativas, mas o extinto Nova Odivelas, também dirigido por Ribeiro, era mais completo). Contudo, ao contrário do que acontece na capital, o tempo das grandes obras parece ter chegado ao fim em Odivelas. Hugo Martins gaba-se sobretudo da redução do défice camarário e das estatísticas que apontam Odivelas como o concelho português com maior taxa de natalidade, enquanto as ruas da cidade não apresentam modificações recentes. Sobre o actual presidente da CMO, apenas conheço as fotografias nas quais Hugo revela uma tremenda dificuldade em sorrir. Fiz Susana Amador ser presidente durante 10 anos, mas, passado todo este tempo de gestão municipal socialista, talvez fosse bom Odivelas conhecer um projecto alternativo ao do PS. O do PSD ou o do CDS? Nem pensar. O do BE? Pouco se sabe daquilo que os bloquistas pretendem. A CDU seria a opção mais viável, mas o preconceito dos comunistas quanto a novas construções e às relações da Câmara com os privados motiva reservas. Esperemos que a situação política municipal seja esclarecida no Verão. Quanto à Junta de Freguesia, julgo não haver problemas em reeleger o jovem autarca socialista Nuno Gaudêncio, até porque este pode justificar a escassez de obras com a calamitosa situação orçamental deixada pelo anterior presidente.