Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Desumidificador

Desumidificador

TV Marcelo

Convidado para a apresentação da nova imagem da TVI, Marcelo Rebelo de Sousa contracenou ontem no “Jornal das 8” com os pivôs Pedro Pinto, Judite de Sousa e José Alberto Carvalho, numa emissão onde ouviu as opiniões de quatro comentadores sobre o primeiro ano marcelista em Belém. Obviamente, o Presidente da República jogou em casa (só faltou o cântico “Ninguém pára o Marcelo”), no seu antigo canal, e seria difícil surgirem momentos de tensão num programa que acabou com o entrevistado a dar apertões de mão aos jornalistas e beijos afectuosos na jornalista. Os comentadores, nenhum deles demasiado à direita ou à esquerda, de modo a não estragar o momento, coincidiram na mensagem “O Presidente é do caraças, só é pena falar demais”. Sempre no comando das operações, Marcelo falou com a habilidade tradicional, entre a explicação das suas funções (assegurar que o Governo se mantém ao centro), a surpresa positiva com o sucesso da Geringonça e, para temperar, alguns elogios a Cavaco Silva. Tudo na mesma, portanto, enquanto se ouviam os urros de Eduardo Cintra Torres e dos colunistas do Observador.

 

Mais que os diferentes estilos de exercício do cargo, a verdadeira distinção entre Marcelo Rebelo de Sousa e os seus predecessores reside no facto do actual chefe de Estado ter sido comentador televisivo em horário nobre durante muitos anos. Marcelo é televisão dos pés à cabeça. Domina a linguagem televisiva como nenhum outro político português e possui uma relação com as câmaras semelhante à das outras estrelas da TVI. No fundo, dizer que Marcelo fala demais é tão ilógico como fazer a mesma acusação a Cristina Ferreira. Afinal, em televisão, pode haver tudo menos pausas e silêncio.