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Desumidificador

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Vamos fazer o que ainda não foi feito

O último 13 de Maio foi um dia mediaticamente esgotante, marcado por eventos de grande impacto televisivo, os quais tiveram em comum o envolvimento do Presidente da República e do primeiro-ministro portugueses. Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa conversaram com o Papa Francisco em Fátima, antes de, à tarde, Costa e Mário Centeno assistirem na Luz ao jogo que garantiu ao Benfica o título nacional de futebol e, à noite, quer Costa quer Marcelo enviarem congratulações públicas a Salvador Sobral pela vitória no Festival da Eurovisão. Os líderes nacionais associaram-se desta forma a três acontecimentos sem precedentes: a canonização de duas crianças portuguesas, o tetracampeonato benfiquista e o primeiro lugar de um cantor luso no certame musical europeu.

 

Não se trata, no entanto, da primeira vez que, durante o “regime” de Marcelo e Costa, ocorrem factos nunca antes registados em Portugal. Tudo começou aquando da formação do primeiro Governo com apoio parlamentar de três (quatro, se contarmos com o PEV) partidos de esquerda, uma situação antes considerada apenas possível na ficção científica. Após a retirada para o exílio interno do anterior “casal” no poder, Cavaco Silva/Passos Coelho, assistiu-se a factos inéditos como a conquista do título continental de futebol pela selecção masculina, o apuramento para a fase final de um Europeu da selecção feminina, a eleição de um português para o cargo de secretário-geral da ONU, a redução do défice para 2% em democracia, a descida mais acelerada do desemprego em três décadas ou a visita dos filhos de João Miguel Tavares ao gabinete do primeiro-ministro. A estes feitos vieram somar-se as novidades de 13 de Maio de 2017, criando um ambiente festivo no país contrastante com o ainda recente clima depressivo vivido nos anos da troika. Marcelo e Costa não têm deixado de aproveitar a maré, utilizando as boas notícias como símbolos de um novo Portugal, consciente do seu valor, sem receio de competir com os “grandes” e encarado “lá fora” como um oásis no meio de um mundo em convulsão. Por seu turno, os dirigentes do PSD e do CDS sentem uma frustração crescente à medida que o sucesso lusitano atinge níveis de pesadelo.

 

O chefe de Estado e o líder do Governo têm formado uma dupla perfeita, em que cada um se congratula com o êxito do outro, apesar do primeiro considerar o segundo demasiado optimista. No entanto, se alguma vez Marcelo for duro com António Costa, poderemos ouvir o primeiro-ministro a cantar: “Meu bem/Ouve as minhas preces/Peço que regresses/Que me voltes a querer…”

 

P.S. O então comentador Marcelo Rebelo de Sousa cantou o verso do título numa gala da TVI, quando Pedro Abrunhosa lhe estendeu o microfone.