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Fitas várias

Homem de Aço (2013)

 

Este reboot do Super-Homem, agora encarnado por Henry Cavill, deu início a uma série de filmes dos personagens da DC Comics, numa tentativa pouco frutuosa de competir com o êxito cinematográfico da Marvel. Apesar de Zack Snyder revelar uma saudável heresia ao contar a origem do herói de maneira diferente da convencional, tudo parece um mero pretexto para o realizador divertir-se de forma infantil a arrasar prédios e multiplicar explosões, sem tornar compensadora a bizarria de várias opções narrativas. A tecnologia actual permite mostrar qualquer coisa no ecrã, mas os actores do cinema de super-heróis costumam surgir perdidos no meio de uma atmosfera irreal de videojogo, sobretudo quando, como em Homem de Aço, os diálogos são demasiado pobres para dar espessura às personagens. À imagem do Festival da Eurovisão (agora regressado à normalidade), o Super-Homem de Snyder tem muito foguetório e pouca alma.

 

Um filme para… Concordar com os Simpsons: o Super-Homem já não é tão divertido como antes.

Nota: 5/10.

 

 

 

Assalto à Casa Branca (2013)

 

Na altura em que Donald Trump e Kim Jong-un estão prestes a encontrar-se para beber umas cervejas e falar sobre gajas, convém recordar o passado pouco distante em que a Coreia do Norte era retratada por Hollywood como a principal ameaça aos Estados Unidos. Neste caso, Antoine Fuqua filma com relativa habilidade, sobretudo nas cenas de batalha, um ataque norte-coreano a Washington, onde os asiáticos bombardeiam vários monumentos, tomam a Casa Branca e fazem refém o corajoso Presidente (Aaron Eckhart). O erro deles foi não contar com o ex-chefe da segurança presidencial, o agente Banning (Gerard Butler), disposto a tudo para salvar o país e o mundo. A inspiração da série Die Hard, salientada pelo título português, é mais do que óbvia, mas Butler está longe de possuir o carisma e o desembaraço de Bruce Willis e limita-se a despejar palavrões enquanto limpa o sebo aos atacantes. Se eu tivesse anotado todos os clichés dos filmes de acção cumpridos sem falhas por Assalto à Casa Branca, teria enchido umas cinco folhas A4 (evidentemente que não falta o relógio em contagem decrescente para o holocausto nuclear evitado no último momento). Esta história bem patriótica conheceu pouco depois uma sequela, Assalto a Londres.

 

Um filme para… Pensar que o mau cinema por vezes documenta uma determinada época melhor que o bom cinema.

Nota: 4/10.

 

 

 

Sei Lá (2014)

 

Realizador versátil, Joaquim Leitão possui na sua filmografia a particularidade de ter adaptado romances tão diferentes como Até Amanhã Camaradas, cuja versão para cinema estreou em 2013 (dez anos depois da série televisiva baseada na obra de Manuel Tiago/Álvaro Cunhal), e Sei Lá, de Margarida Rebelo Pinto. Levar a sua primeira ficção ao grande ecrã era um sonho antigo da escritora, também argumentista da longa-metragem, e podemos saudar Rebelo Pinto pelo feito de conseguir pegar na história do romance e torná-la ainda pior. Neste filme, vemos imagens de Leonor Seixas com cerca de 15 penteados diferentes, Rita Pereira na pele de “bimba da Margem Sul”, António Pedro Cerdeira a interpretar o pior agente secreto da história do cinema e outras curiosidades, por entre uma voz off tão opressiva como a intensidade cromática da fotografia. O vazio e futilidade das mulheres retratadas em Sei Lá fazem o espectador mais liberal pensar que, se isto é a elite, então viva o proletariado. A obra de Leitão revela-se, assim, mais coerente do que parecia.

 

Um filme para… Celebrar o bicentenário de Karl Marx.

Nota: 4/10.

 

 

 

Verdade ou Consequência (2018)

 

Um grupo de estudantes universitários passa férias no México e, ao regressar aos EUA, traz consigo uma maldição que torna o jogo “verdade ou consequência” inquietantemente real. Filmes de terror como este existem aos pontapés e não há muito a dizer sobre a obra realizada por Jeff Wadlow, para lá do ridículo da história, dos sustos nada assustadores e das personagens de cartão cuja vida ou morte causa total indiferença. São feitas numerosas referências a redes sociais e plataformas da Internet (Google, You Tube, Facebook, Instagram, Snapchat, etc.), no intuito de ganhar proximidade ao público-alvo do filme.

 

Um filme para… Constatar o desinteresse dos americanos em falar uma língua que não o inglês quando vão ao estrangeiro.

Nota: 4/10.