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Desumidificador

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Gosto não gosto

No programa do Canal Q Quem Desdenha, Susana Romana conversa com várias personalidades sobre a cultura e os produtos musicais, literários ou cinematográficos que cada uma delas menos aprecia, incluindo também algumas sugestões de obras que valem a pena. Com um formato tão cativante como este, eu não poderia deixar de imitar Romana e listar obras escolhidas da forma mais subjectiva possível, embora os meus gostos tendam a coincidir com o mainstream.

 

Desdéns

 

José Cardoso Pires: Não gostei de O Delfim e não consegui acabar a Balada da Praia dos Cães. Porquê? Não faço ideia. É como o atum, não se gosta e pronto.

 

Margarida Rebelo Pinto: Alguns anos depois do desagrado causado por Sei Lá (diga-se que o filme ainda é pior), resolvi dar uma nova oportunidade à autora, que poderia ter evoluído favoravelmente nos anos antes do romance Português Suave (2008). Nada a fazer. No ensaio Couves e Alforrecas, João Pedro George identificou sem margem para dúvidas aquilo que está errado em Rebelo Pinto.

 

 

Aaron Seltzer e Jason Friedberg: Dois dos argumentistas de Scary Movie lançaram-se na primeira década deste século na escrita e realização de uma série de filmes também integrados no género spoof (Date Movie, Epic Movie, Uns Espartanos do Pior, Disaster Movie, etc.). Todos eles têm uma subtileza de elefante e reconstituições de cenas de sucessos de bilheteira lançadas ao acaso sem qualquer piada ou sentido. Todos os candidatos a humoristas devem vê-los para saberem o que não se deve fazer.

 

Livros de Alberto Gonçalves: Não tenho especial prazer em bater no Vasco Pulido Valente da loja do chinês e até reconheço que criou uma personagem deliciosa para o seu público-alvo. No entanto, o matosinhense constitui um marco da tendência para baixar o nível que afecta o comentário político. Começa-se por um Alberto Gonçalves e acaba-se num Rodrigo Alves Taxa.

 

The Final Cut: O álbum de 1983 dos Pink Floyd que ainda conta com Nick Mason e David Gilmour, mas é sobretudo um projecto pessoal de Roger Waters. Num trabalho em que declama mais do que canta, Waters vagueia pela sua mente sem nunca chegar a lado nenhum.

 

Astérix e Obélix Contra César: Claude Zidi cometeu em 1999 um autêntico crime com esta ofensiva e desconexa primeira adaptação de Astérix para o cinema de imagem real.

 

Looney Tunes: Já valeu a pena criar Family Guy só por causa da cena desta série em que Elmer Fudd, em vez de dar conversa a Bugs Bunny, simplesmente mata o coelho de forma seca e impiedosa. É certo que há excepções, como aqueles filmes realizados por Chuck Jones em que torcemos sempre pelo Coyote contra o Road Runner.

 

Bacalhau com Todos: Uma comédia da RTP protagonizada por Guilherme Leite, filmada com público a assistir durante a transição do século XX para o XXI e que ganhou merecidamente o prémio de pior sitcom de todos os tempos.

 

 

Séries da nossa infância que envelheceram mal

 

Poucas: Ao contrário do que diz Susana Romana, o Alf faz rir, embora a última temporada seja bem mais fraca que as anteriores. No caso de MacGyver, as fraquezas da série são actualmente mais visíveis, mas o conceito é tão simples e brilhante que mantém a sua eficácia, enquanto a música do genérico traz imensas recordações. Sobre O Justiceiro, persiste a mesma impressão de quando éramos miúdos: o KITT é tão fixe que lhe perdoamos por transportar o canastrão do David Hasselhoff. Por outro lado, também me lembro de Superboy, uma série sobre as aventuras do Super-Homem nos seus anos de estudante universitário que é embaraçosamente má, desde os diálogos aos efeitos especiais (em compensação, percebe-se melhor agora como a actriz Stacy Haiduk era sensual).

 

 

Guilty pleasures

 

Telenovelas portuguesas: É difícil escapar ao fascínio por este universo de criadas fardadas, cavalos, pequenos-almoços cheios de fruta, pessoas que partem coisas quando se irritam, conversas ouvidas sem ninguém notar, jovens casais a quem acontece de tudo antes de serem felizes para sempre, filhos que descobrem os pais biológicos, etc. Os folhetins nacionais já foram bem piores e contam com alguns actores cujo valor ultrapassa as frases que os fazem dizer.

 

Inspector Max: Sim, eu sei, mas os episódios eram escritos por argumentistas das Produções Fictícias que conseguiam fazer uma série “para toda a família” sem torná-la demasiado piegas ou infantil.

 

 

Sugestões

 

Cartoons de Augusto Cid: Livros como PREC, PREC II, O Superman, Eanito, El Estático, Alto Cão Traste e muitos outros reproduzem o traço e a mordacidade inimitáveis de um dos maiores cartoonistas portugueses de sempre e permitem conhecer melhor as reviravoltas da nossa política entre o 25 de Abril e a troika. Um aspecto importante da obra de Augusto Cid encontra-se na possibilidade de compreender o general Ramalho Eanes (arqui-inimigo de Cid) como uma personagem dentro de um contexto histórico e não como o santo laico hoje venerado por pessoas que nunca teriam votado nele em 1980.

 

 

O Lobo de Wall Street: Martin Scorsese fez em 2013 uma versão de Tudo Bons Rapazes passada no mundo da Bolsa, com Leonardo DiCaprio a protagonizar ao seu nível uma história de ascensão e queda que volta a mostrar como o Mal é tentador e o capitalismo estimula a ambição desmedida.

 

“Volto Já”: Um tema com letra de Rui Reininho que marcou a curta carreira dos Johnny Johnny e passa de vez em quando na M80, atraindo pelo seu ritmo viciante e pela curiosa alegria que transmite.

 

 

 

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