Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Desumidificador

Desumidificador

Memórias de Assunção

O novo livro de Assunção Cristas, Confiança (Matéria-Prima), levanta-me uma série de dúvidas, aqui listadas por ordem aleatória:

 

1. Porque é que a capa do livro é tão parecida com a de Becoming, de Michelle Obama? Porque é que Michelle segura a cabeça com a mão direita e Assunção com a mão esquerda? Porque é que o nome de Cristas foi colocado ao nível dos seus seios? E porque é que Confiança tem esse título, nunca explicado ao longo do texto?

 

2. Se Assunção tivesse seguido o conselho da sua professora de Educação Visual e estudado Artes no secundário, teria sido desenhadora e ilustrado álbuns de BD?

 

3. Que sentido faz que a primeira parte do livro tenha 184 páginas e a segunda apenas 33?

 

4. A ideia de Assunção Cristas de que uma das singularidades das “lideranças femininas” está num “perfil geralmente mais cooperativo e colaborativo e menos bélico” (pp. 59-60), logo mais produtivo que o dos homens, não constitui uma espécie de machismo ao contrário?

 

5. O eleitor que optar pelo CDS estará a votar não só na Assunção, mas também no Tiago, na Maria do Mar, no Zé Maria, no Vicente e na Luzinha?

 

6. Viver numa família grande que está sempre junta não acabará por se tornar opressivo para a individualidade dos seus membros?

 

7. Uma tão vasta exposição da vida privada será realmente uma estratégia política pertinente ou apenas uma cedência à lógica das redes sociais?

 

 

 

 

8. O uso permanente de episódios do quotidiano pessoal para confirmar e reforçar ideias sobre temas políticos não fará Cristas cair no mesmo registo daqueles comentadores que estão sempre a fazer generalizações abusivas a partir do princípio “se isto é assim no meu bairro, é assim no mundo inteiro”?

 

9. Não é um pouco exagerado que Assunção recorra aos exemplos de Jesus Cristo e da Virgem Maria para justificar a decisão de entrar para a política? Depois de Cristas hesitar tanto e consultar muitas pessoas antes de aderir ao CDS, não foi bizarro tomar em poucos minutos as decisões de aceitar ser ministra da Agricultura e de candidatar-se à liderança do partido?

 

10. Terá sido a preferência de Assunção Cristas por almoços longos e com muita conversa, baseada numa valorização das “qualidades humanas” em detrimento da “eficácia cega” (p. 73), a fazer Henrique Raposo deixar de admitir votar no CDS?

 

11. A ideia da generalização dos anos sabáticos, baseada na convicção de Cristas de que “seria muito bom se todas as pessoas pudessem parar pelo menos uma vez, idealmente duas, ao longo da sua vida laboral” (p. 101), não será louvável mas completamente irrealista?

 

12. Quais são as “marcas de fação” (p. 246) que Cristas gostaria de ver retiradas da Constituição para facilitar a governação da direita?

 

13. Que opinião terá a oposição interna a Assunção Cristas sobre o livro de uma líder considerada demasiado saída da casca pelos ultraconservadores da TEM?

 

14. Quantas pessoas vão comprar Confiança e decidir o seu voto a partir da leitura do livro? Se, como é previsível, forem poucas, de que terá servido o esforço da autora e da editora?

1 comentário

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.