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Desumidificador

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O futuro dos partidos de direita

PSD-RR

 

Prós: Os acordos com o PS e a gestão criteriosa das declarações públicas garantiram a Rui Rio uma aparência de credibilidade maior do que poderia supor-se, na medida em que o contributo para reduzir a crispação do quotidiano político, tal como uma certa relutância do portuense em seguir a espuma mediática, impressionam favoravelmente os eleitores mais moderados. A resistência do PSD-RR aos ataques contínuos do seu principal rival, o PPC/PSD, pode reforçar a aura de determinação de Rio e dar-lhe margem de manobra para melhorar a sua posição antes das legislativas.

Contras: A bipolarização acentuada durante os anos da crise ainda não se dissipou. Um novo Bloco Central teria uma base social de apoio reduzida e prejudicaria quer o PS quer o PSD-RR, num cenário em que o espaço político do centro-direita é cada vez mais apertado. Entretanto, a displicência com que Rio vem tratando caso após caso leva quem o ouve a ponderar se a determinação do inimigo de Pinto da Costa não será afinal uma arrogância desmedida.

 

PPC/PSD

 

Prós: Os guardiães do legado de Passos Coelho influenciam grande parte da comunicação social e permanecem em maioria na bancada parlamentar escolhida pelo mentor, além de contarem com Miguel Relvas e outros animais que proliferam no habitat dos bastidores da política. Os fracos resultados do PSD-RR nas sondagens criam uma impaciência favorável aos interesses do PPC/PSD.

Contras: A ideia de que muitos militantes do PPC/PSD se movem mais para salvarem as suas peles políticas do que propriamente por ideologia e pelo “interesse nacional” revela-se difícil de apagar. Por outro lado, o fracasso da “teoria do Diabo” deixou os antigos passistas sem um discurso credível e instalou um ambiente de refluxo no qual só resta uma nostalgia amarga dos tempos revolucionários.

 

PSL

 

Prós: Pedro Santana Lopes. Quando Santana fala, os jornalistas aparecem, atraídos pelo espectáculo, o que garante visibilidade ao novo partido. Os eleitores do antigo PSD descontentes podem votar no PSL como forma de protesto, até porque Santana ainda beneficia dos efeitos positivos dos anos passados fora da ribalta, durante os quais evitou ser associado às medidas mais impopulares da PAF.

Contras: Pedro Santana Lopes. Acredito que Santana Lopes tenha imensas ideias para defender “os princípios, os valores e tradições da identidade Portuguesa”, como escreveu na sua carta de despedida, mas ninguém repara nelas porque, se espremermos o discurso de Santana, ficamos apenas com as palavras “eu, eu, eu, eu, eu”. Tudo é tão egocêntrico e personalizado na forma como o ex-autarca faz política que, independentemente da orientação a seguir, o PSL será apenas “o partido do Santana”. Além disso, se é certo que o país político parece já não se recordar de nenhum acontecimento anterior a 2008, os adversários de Santana podem ir ao arquivo recuperar sons e imagens do período em que o líder do PSL chefiou o Governo. E isso seria muito mau para Lopes.

 

 

CDS

 

Prós: Assunção Cristas tem gerido de forma astuciosa o partido da bola ao centro, impondo a sua marca na agenda mediática e aproveitando os debates parlamentares para seduzir quem gosta de ver alguém a malhar com força em António Costa. Por seu turno, Adolfo Mesquita Nunes revela inteligência (parecendo que não, isso dá jeito) naquilo que diz e escreve e representa a imagem de uma direita aberta e dinâmica, sem os tabus do passado. Manter Nuno Melo em Bruxelas, bem longe daqui, será fundamental para evitar embaraços ao partido.

Contras: O resultado obtido nas autárquicas de Lisboa pareceu conduzir a direcção centrista a um deslumbramento exagerado, cujas metas irrealistas podem tornar-se contraproducentes. Na verdade, o CDS ainda não se libertou da imagem de satélite do PSD, nociva à sua pretensão de apresentar-se como primeira escolha. Entretanto, permanecem guardados no sótão do Caldas uns Isaías Afonsos com cheiro a mofo.

 

IL

 

Prós: Estar fora do Parlamento e ter nomes desconhecidos na direcção tem um lado positivo para a Iniciativa Liberal, ao fornecer-lhe à-vontade para fazer um discurso anti-sistema e atacar os partidos mais antigos, que designa como “Donos Disto Tudo”. A ausência de ligações à política de austeridade facilita também as queixas da IL sobre o vampirismo do Estado. Os adeptos do liberalismo podem apreciar um partido que assume sem rodeios essa identidade ideológica.

Contras: Criar um novo partido não é fácil em Portugal, não só devido aos obstáculos legais e à escassez de financiamento, mas sobretudo por causa da tendência mediática para dar tempo de antena apenas a quem já está há muito no terreno de jogo. São necessários contactos e figuras com alguma notoriedade para ganhar simpatias nas redacções. A IL tem utilizado as redes sociais e recorrido a vários dirigentes do partido com acesso a certa imprensa (Sábado, Observador, etc.) para apresentar o organismo, mas, se não chegarem à televisão, será difícil para os liberais informar os portugueses dos objectivos da nova força política. É certo que o PAN elegeu um deputado quando ninguém o levava a sério, mas a formação de André Silva dirige-se a um nicho muito específico do eleitorado. Por último, a sigla da Iniciativa Liberal faz lembrar o pai de Kim Jong-un.